Mademoisinha, loas ao meu caminho…

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fragmento

Abril 26, 2008 · 5 Comentários

“Meu saudosismo me traz cada detalhe. Aquela moça esguia, sensata, dos cabelos longos e sempre presos estava como de praxe cheia de pulseiras nos braços, ela andava como se o mundo inteiro pudesse esperar por ela e todas sabíamos que mesmo tendo a medida do certo e do errado ela estava conosco para o que houvesse. Tinha a garota dos olhos de peteca também, essa sempre com um “olhar nos olhos” de desconcertar, ela era a sapiência, ainda não descobri de onde tirou tanta maturidade, o mundo já havia dedicado à ela todas as músicas que eu dedicaria. E eu? Eu costumava andar com meu decote rechonchudo exposto e sorrindo sempre, acho que era a parte sentimentalóide do nosso triângulo. Comum à todas era o cigarro tragado com gosto de auto-afirmação.

O amor que tínhamos uma pela outra, ninguém ousaria questionar, era algo como partilhar sonhos, déias malucas, ideais controversos e juntar tudo isso num laço que nos une até hoje. Éramos três, que se doaram uma a outra para a formação da unidade, pedacinhos de vidro colorido pra formar um caleidoscópio grande, cheio de perspectivas….

Bela JuliAna, meninas três em um: criadoras de sonhos, releitura do menestrel, espírito questionador incansável dessas que juntas se fizeram uma só”.

Ju Maués

Caleidoscópio – Martín La Spina

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Amigas em músicas

Abril 10, 2008 · 12 Comentários

Hoje eu tava indo pra faculdade e ouvi no mp3 certas músicas que me lembraram certas amigas, pensei em como eu tenho inconscientemente MUITO de todas elas em mim, cada música que eu ouvia vinha uma delas à cabeça. Resolvi que deveria dedicar um post às amigas, às minhas músicas das minhas amigas. Fiquei pensando o trajeto inteiro nas músicas que são delas e que não estão no set list do mp3, e eram poucas…

Não foi difícil achar cada uma das amigas em uma música, seja por um momento que passamos ouvindo a modinha juntas, seja por um trecho que me lembra aquele olhar que ela me dedicava, ou por qualquer outro motivo que eu vou cantar em palavras escritas…

Mamãe: Seus olhos meu clarão. Me guiam dentro da escuridão. Seus pés me abrem o caminho. Eu sigo e nunca me sinto só…” (Velha Infância – Tribalistas)

Anita: “Is there anybody going to listen to my story
All about the girl who came to stay?” (Girl – The Beatles)

Dihelse: Devo admitir, que sou réu confesso. E por isto eu peço, peço prá voltar…” (Réu Confesso – Tim Maia)

Liça: “É morena, ta tudo bem, sereno é quem tem a paz de estar em par com Deus…” (Morena – Marcelo Camelo)

Izabella: “Essa menina mulher, da pele preta…” (Menina Mulher da Pele Preta – Jorge Ben Jor)

Ana:O sol veio avisar que de noite ele seria a lua, Pra poder iluminar Ana, o céu e o mar…” (Ana e o Mar – Teatro Mágico)

Débora: Na verdade Eu não vou chorar Eu não Hoje sei O que a terra Veio me ensinar Sobre as coisas Que vêm do coração…” (Liberdade pra dentro da Cabeça – Natiruts)

Yasmin: A ema gemeu no tronco do juremau Foi um sinal bem triste, morena…” (Canto da Ema – Ayres Viana, Alventino Cavalcante e João do Vale) – é cara de Pote, é essa a música que eu lembro de ti.

(Sisters, Ali Golkar) Porque eu tenho irmãs.

Cíntia: “Morena flor me dê um cheirinho… Sem você o que ia ser de mim Eu ia ficar tão triste Tudo ia ser tão ruim…” (Morena flor – Vinicius de Moraes)

Tati: “I don’t practice Santeria I ain’t got no crystal ball Well I had a million dollars but I, I’d spend it all…” (Santeria – Sublime)

Dienne: “O impossível me espera do lado de lá eu salto pro alto eu vou em frente de volta pro presente…” (Túnel do tempo – Frejat)

Renata: “Voyage, voyage Plus loin que la nuit et le jour, (voyage voyage)Voyage (voyage) Dans l’espace inouï de l’amour…” (vai saber o compositor da música…)


*Perdoem-me aquelas que se sentiram desprestigiadas, mas essas foram as lembranças mais fortes.

Categorias: Eu e as Pessoas

O Melhor Dia da Semana

Abril 5, 2008 · 8 Comentários

Ela chega em casa e sente misturados o cheiro dele e o da comida que ele prepara para o almoço dos dois, aquilo a faz esquecer do acordar às 5 da manhã, dos ônibus lotados, da cólica que sentia e da saudade que aperta o seu coração todos os dias. Agora ela sabe que é forte, cada dia mais forte.

Menina ou mulher, ela não sabe mais, só sabe que se vê cada dia mais parecida com uma menina-mulher cheia de sorrisos e beleza que ela conhece desde que nasceu, com energia para dar e vender, e força para quem quer que precise.

Após uma semana e trinta ônibus somados, ela chega à sexta-feira esperando o melhor beijo, no melhor dia da semana. É… Sexta feira é o melhor dia da semana. Almoço, jornal, vídeo-show e novela no colchão-sofá. Adormece no abraço mais gostoso e acorda com as mãos mais quentes na pele suave que vai aflorando os poros. O frio dos ares do sul vai passando com o passear daquelas mãos, ah! Se vai…

Agora ela lê e ele ri em frente ao computador, já é noite e a pergunta dele é a que ela quer ouvir e responder sorrindo:

- Quer dar uma “round”? – como um rapazote perguntando a sua garota. A resposta da morena é sorridente.

- Passear de mãos dadas? Eu quero! – Balança a cabeça e sorri.

Noite geladinha, menina arrumadinha, o moço ta “meketrefe” e ela de olhos pintados. Pegam o ônibus amarelo e ligam para uns e outros poucos amigos que têm ali, mas são só eles dois de dedos entrelaçados. Descem no centro, andam horrores (como ela diria) e o sapatinho caleja o pé dela. Ele ironiza alguma coisa, sim ele é irônico, eles discutem bobagens e ela faz charme, mas esquecem rápido porque provavelmente estão perdidos no meio do caminho procurando uma rua qualquer.

Estão enfim no destino. Onde? Não interessa. Muito menos quem está ao redor. Sabem que estão juntos e aquela vai ser mais uma noite dos dois, sem precisar dizer tchau.

Ju Maués

Por essas e outras…

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Rapidinhas…

Abril 3, 2008 · 3 Comentários

   Levanta-te e corre  

É por essas e outras que confio mais em meu cachorro que nos seres-humanos. No semáforo as pessoas de bom coração se compadecem do aleijado, de moeda em moeda ele ganha o auxílio sobrevivência. Da janela do ônibus me comove a expressão de angustia: o sinal vai abrir e o cadeirante ainda passeia entre os carros. Quando os carros ameaçam avançar o sinal, milagrosamente o aleijado está curado, corre desesperado para fugir dos automóveis e dos populares enganados que agora o perseguem.

Ju Maués

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