“Meu saudosismo me traz cada detalhe. Aquela moça esguia, sensata, dos cabelos longos e sempre presos estava como de praxe cheia de pulseiras nos braços, ela andava como se o mundo inteiro pudesse esperar por ela e todas sabíamos que mesmo tendo a medida do certo e do errado ela estava conosco para o que houvesse. Tinha a garota dos olhos de peteca também, essa sempre com um “olhar nos olhos” de desconcertar, ela era a sapiência, ainda não descobri de onde tirou tanta maturidade, o mundo já havia dedicado à ela todas as músicas que eu dedicaria. E eu? Eu costumava andar com meu decote rechonchudo exposto e sorrindo sempre, acho que era a parte sentimentalóide do nosso triângulo. Comum à todas era o cigarro tragado com gosto de auto-afirmação.
O amor que tínhamos uma pela outra, ninguém ousaria questionar, era algo como partilhar sonhos, déias malucas, ideais controversos e juntar tudo isso num laço que nos une até hoje. Éramos três, que se doaram uma a outra para a formação da unidade, pedacinhos de vidro colorido pra formar um caleidoscópio grande, cheio de perspectivas….
Bela JuliAna, meninas três em um: criadoras de sonhos, releitura do menestrel, espírito questionador incansável dessas que juntas se fizeram uma só”.
Ju Maués

Caleidoscópio – Martín La Spina