Ela sabia que estava sendo observada por olhos curiosos, mas não temia, como foi a vida inteirinha.O que a princesa queria mesmo era a diversão daquela música, daquele seu dançar solitário e revigorante. Cada passo era algo que ia embora, um alívio, em cada gota de suor um ml de quaisquer angústias. Satisfez-se assim entre uma cerveja e outra.No dia seguinte a dor de cabeça a fazia lembrar-se da efêmera diversão, daquilo que ela achava que era felicidade. Não havia bateria cerebral que a fizesse esquecer-se da rotina que a esperava e que ela achava que a estava consumindo, então a princesa começou a viver, conformada, mais um dia em seu reino. Tomou nos braços a boneca de porcelana que mais amava, sentiu o beijo do príncipe que noite passada a olhava curioso e reprovador, no castelo da família real tocava uma música que princesa e príncipe gostavam, então eles se olharam, nada mais. Ela percebeu, com a boneca nos braços e seu rapaz deitado a seu lado, que aquilo sim era felicidade. Viu a beleza da rotina, a felicidade e o amor que não precisavam de palavras, estavam em cada partícula daquela atmosfera em que eles viviam e respiravam. Lembrou-se então da noite anterior e da tal felicidade que sentira, quanta bobagem! Chegou à conclusão de que aquilo tudo era nada perto da satisfação que seu dia-a-dia a proporcionava naquele castelo de amor onde vivia com o príncipe e a boneca de porcelana que tanto amava. Foram, são e serão felizes para sempre…

felicidade real
p.s. ainda não tínhamos nossa boneca quando fizemos essa foto… rs