Eu sei que salto alto é uma peça indispensável para as mulheres, mas só para certas ocasiões, tipo uma festa chic mesmo, casório, debut, formatura, sei lá… Este texto chega aqui para mostrar o quão desastrosa é minha relação com esse acessório feminino. Acho impressionante como existem mulheres que o usam até para ir ao cinema, ou para sair para dançar, ME POUPE! Será que eu que sou só uma desclassificada ou alguma mulherzinha vem aqui concordar comigo, eu acho uma verdadeira tortura salto alto, e sim, eu tenho UM no meu armário. Só para ocasiões especiais. Justificarei essa relação desastrosa contando uma historinha verídica e minha… Senta que lá vem história!
Eu sempre fui meio espalhafatosa, desastrada, sem coordenação, espaçosa, enfim, mas sou muito legal e é isso que importa. Não seria espantoso me ver caindo num tropeço ou derrubando alguma coisa, esse fato é só mais um dos meus desastres. Minha família se preparava para o casamento do meu tio mais novo, ou seja, uma senhora festa com direito a tudo do mais legal e divertido, credo eu só pensava na festa. Daí, empresta vestido daqui, empresta dali, me arrumaram um traje lindo, jovem, fashion, porém que PEDIA um salto alto. Tá, vá lá, uma vez por ano eu achei que seria capaz. Minha mãe me levou à uma loja de sapatos e escolhemos um lindo, devia ter seus 10 cm, fiquei me sentindo a mulher mais alta do mundo, com as pernas da Ana Hickman e a classe da Narcisa Tamborindeguy, enfim, gata garota. Ia dar merda!
Nos arrumamos para a festa com um cabeleleiro bem afetado, desses que eu adoro. Ele me fez um penteado super fahsion night of fervor, aqueles rabos de cavalo com topetinho, coisa de louco. A maquiagem era básica porque essa pele aqui não pede muitos reparos, AI ELA SE ACHA. E assim fui me vestir, claro que deixei o sapato por último, só na hora de ir pro carro. Calcei o tal do salto, entrei no carro e até aí tudo bem. Cheguei na igreja andando parece uma pata, já estava sentindo um enorme desconforto e desconfiando que todos estavam a apreciar meu modo peculiar de andar, falei com umas duas pessoas e sentei de novo, aquilo não podia dar certo. A cerimônia foi rápida e eu fiquei sentada o máximo de tempo possível, prevendo o que aconteceria na festa, não percam por esperar. rs
Chegamos na festa. Cumprimentos daqui e dali, fala com os 14 tios, os mais de 3o primos, dá uma olhada nas mesas, e espera os noivos, estes só chegaram mais ou menos uma hora depois, tudo bem, a cada oportunidade eu dava uma sentada. Minha cabeça só pensava na hora que iam distribuir a lembrança que eu já sabia qual era: um par de havaianas personalizadas!Mas também sabia que isso só aconteceria depois da valsa, do jantar, essas coisas. Eu ia tentando me virar em cima daquela coisa e sorrindo sempre.
Havia na festa aqueles quiosques de drink fazendo coisas maravilhosas, as quais eu nem pensava em provar de salto alto, eu tentava de alguma forma me manter normal, mas estava me sentindo mal mesmo, tinha náusea, os pés doíam, o andar tava torto e eu achei que fosse desmaiar. Sim gente, a agonia chegou a esse extremo. Fui pra perto da minha mãe, pois suava frio, estava desequilibrada, e sabia que qualquer que fosse o vexame ela me apoiaria. Cheguei perto e disse:
-Mae, to passando mal, vou cair, to tonta, minhas pernas estão tremendo, me AJUDA.
Sabem qual foi a resposta?
-Ju, tenha postura, quantos drinques tu já tomaste?
Daí eu não me controlei, sentei e disse:
-Mãe, não tomei nenhum drinque ainda, é esse salto alto que tá me fazendo tremer nas bases, me ajuda, pede logo a havaiana de brinde pra mim.
E assim, me cederam a Havaiana que era uma surpresa e eu estraguei, minhas primas que passavam pela mesma situação foram lá e se renderam às havaianas também, só algumas dondocas me olhavam com cara de pouco caso. A partir desse momento me senti livre para ir tomar os coquetéis deliciosos e andar normalmente pelo salão. Sandálias rasteiras para mulheres sofisticadas e que primam pelo conforto.
É minha gente, eu sei que tenho fama de gostar do “mé”, mas eu não soudescontrolada, o que me tirou do controle aquele dia foi mesmo o tal do salto alto, que algumas mulheres insistem em dizer que glamuriza. A mim não glamuriza, só aterroriza, eu diria que fico mais glamurosa com um par de havaianas e um coquetel de morango na mão, ahhh se fico!